Estou há cinco dias passando mal de rinite e dormindo
porcamente porque meu nariz obstruído me impede de respirar. Daí que ontem
arrastei minha carcaça demente pro hospital a fim substituir o tratamento
auto-infligido, que resultou inútil, por outro receitado por alguém competente,
e para ver se a suposta sapiência médica me dispensava de minhas obrigações
profissionais.
Insensível ante a minha falta de
ar, o sacripanta doutor me liberou apenas com uma declaração de comparecimento,
e eu, semi-dopada de antialérgicos e trêmula pelo efeito do berotec,
peguei um táxi e fui pra casa dormir. Afinal, a instituição claudicante onde
trabalho não merece meu último suspiro.
Com as faculdades mentais
prejudicadas pela falta de sono e pelo excesso ocasional de drogas, o máximo
que consegui foi desperdiçar meu precioso tempo entre cochilos e a leitura rasa
de jornais. Uma pilha de livros e filmes me esperando e eu sofrendo os sintomas
precoces da velhice.
Quando o relógio bateu as doze,
todas as caveiras saíram da tumba e eu me ergui das profundezas da cama,
finalmente liberta do sono de Mun-Há. E então, você leu algum livro? Viu
algum filme?, perguntarão os nobres e pacientes leitores desse blog, ávidos
por minhas descobertas intelectuais. Afinal, que faz uma xófen (cof cof)
moça após vinte horas revigorantes de sono, ao longo de uma promissora e
silenciosa madrugada?
Faxina. F.A.X.I.N.A.
A minha propensão a
auto-sabotagem é algo que me alumbra! Vejam bem. Estou passando mal de rinite
e, no primeiro sinal de convalescença, vou mexer com poeira e água sanitária.
Não é sensacional? Ter a melhor desculpa do mundo para tomar chazinho e ler até
que os olhos caiam, e escolho limpar a casa.
A verdade é que tento me enganar,
mas estou entrando num processo de desaceleração do intelecto. Desaceleração
aqui pode ser lido como eufemismo de degenerescência. E isso quer dizer que
demoro mais para terminar a leitura dos livros, hesito diante de textos muitos
longos, levo tempo para, de fato, adentrar os textos e - triste, muito triste -
durmo no meio dos filmes (já virei até alvo de piada com isso).
Não sei se tem
a ver com idade porque, ne?, 31 não é nenhuma dinastia Ming, mas desconfio que
escolhi arrumar a casa no meio da madrugada porque seria menos trabalhoso. É
terrível! Se estou assim agora, aos cinqüenta serei uma banana de pijama.
Eu bem poderia botar uns panos
quentes e atribuir minha mongolice iminente ao excesso de trabalho e
responsabilidades, lalalá lelelé, mas, como bem diz a sabedoria popular, o
primeiro passo para a superação do problema é admiti-lo. Então, eis-me
admitindo-o:
Boa tarde! Meu nome é Aline e procrastino atividades
intelectuais por motivos de preguiça existencial.
Torçamos para que esse testemunho
tenha algum efeito prático na minha vida. Afinal, o que é uma casa suja diante
de uma cabeça oca?


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