quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Dear God, give me a brain!




Estou há cinco dias passando mal de rinite e dormindo porcamente porque meu nariz obstruído me impede de respirar. Daí que ontem arrastei minha carcaça demente pro hospital a fim substituir o tratamento auto-infligido, que resultou inútil, por outro receitado por alguém competente, e para ver se a suposta sapiência médica me dispensava de minhas obrigações profissionais.

Insensível ante a minha falta de ar, o sacripanta doutor me liberou apenas com uma declaração de comparecimento, e eu, semi-dopada de antialérgicos e trêmula pelo efeito do berotec, peguei um táxi e fui pra casa dormir. Afinal, a instituição claudicante onde trabalho não merece meu último suspiro.

Com as faculdades mentais prejudicadas pela falta de sono e pelo excesso ocasional de drogas, o máximo que consegui foi desperdiçar meu precioso tempo entre cochilos e a leitura rasa de jornais. Uma pilha de livros e filmes me esperando e eu sofrendo os sintomas precoces da velhice.

Quando o relógio bateu as doze, todas as caveiras saíram da tumba e eu me ergui das profundezas da cama, finalmente liberta do sono de Mun-Há. E então, você leu algum livro? Viu algum filme?, perguntarão os nobres e pacientes leitores desse blog, ávidos por minhas descobertas intelectuais. Afinal, que faz uma xófen (cof cof) moça após vinte horas revigorantes de sono, ao longo de uma promissora e silenciosa madrugada?

Faxina. F.A.X.I.N.A.

A minha propensão a auto-sabotagem é algo que me alumbra! Vejam bem. Estou passando mal de rinite e, no primeiro sinal de convalescença, vou mexer com poeira e água sanitária. Não é sensacional? Ter a melhor desculpa do mundo para tomar chazinho e ler até que os olhos caiam, e escolho limpar a casa.

A verdade é que tento me enganar, mas estou entrando num processo de desaceleração do intelecto. Desaceleração aqui pode ser lido como eufemismo de degenerescência. E isso quer dizer que demoro mais para terminar a leitura dos livros, hesito diante de textos muitos longos, levo tempo para, de fato, adentrar os textos e - triste, muito triste - durmo no meio dos filmes (já virei até alvo de piada com isso). 



Não sei se tem a ver com idade porque, ne?, 31 não é nenhuma dinastia Ming, mas desconfio que escolhi arrumar a casa no meio da madrugada porque seria menos trabalhoso. É terrível! Se estou assim agora, aos cinqüenta serei uma banana de pijama.



Eu bem poderia botar uns panos quentes e atribuir minha mongolice iminente ao excesso de trabalho e responsabilidades, lalalá lelelé, mas, como bem diz a sabedoria popular, o primeiro passo para a superação do problema é admiti-lo. Então, eis-me admitindo-o:

Boa tarde! Meu nome é Aline e procrastino atividades intelectuais por motivos de preguiça existencial.

Torçamos para que esse testemunho tenha algum efeito prático na minha vida. Afinal, o que é uma casa suja diante de uma cabeça oca?

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